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04/07/2017 - Secretaria de Assistência Social

Associação em defesa ao público LGBT é inaugurada em Primavera do Leste

Assessoria de Comunicação
Associação em defesa ao público LGBT é inaugurada em Primavera do Leste

Ocorreu no início da noite da última sexta-feira (30) a pré-inauguração da Associação de Diversidade Primaverense (ADIP), uma Organização não Governamental (ONG) com objetivo de fiscalizar e viabilizar direitos constitucionais da classe Lésbicas, Gays, Bissexuais, Travestis, Transexuais e Transgêneros (LGBT), visando organizar, juntamente com o poder público, Polícia Militar, Polícia Civil, Defensoria Pública e outros, ações, campanhas e eventos que venham tratar, prevenir e apoiar a causa em Primavera do Leste. A cerimônia ocorreu no Espaço Conviver.

Esteve presente o especialista em Políticas de Segurança Pública, ex-secretário de combate aos crimes de homofobia da Secretaria de Estado de Segurança Pública e atual coordenador da Articulação Brasileira de Gays em Mato Grosso (Artgay), Rodrigues Schneider.

Para o especialista, os objetivos que tange a criação da ADIP em Primavera é propor uma instituição de defesa dos direitos humanos e da cidadania dos LGBTs do Município. “Esse espaço institucional será o elo de diálogo entre a gestão pública e o público LGBT, e servirá como uma referência para articular as principais demandas, seja em saúde, educação ou segurança desse público em específico.

Assim como qualquer cidade da nação brasileira, Schneider acredita que Primavera do Leste precisa de um espaço para mediar as demandas específicas das populações em situação de vulnerabilidade social. “Nas cidades do interior há sempre uma resistência maior que as grandes metrópoles. Essa resistência, dá-se justamente pela questão tradição e a moral conservadora, bastante arraigada nesses locais. Nesse sentido, a criação de uma ONG, seja de defesa LGBT, de negros ou de mulheres que lutam pela igualdade de gênero, representa sempre uma quebra de paradigmas e um desafio em afirmar que todos e todas, legitimamente, são iguais perante a Constituição”, pontua Rodrigues.

O especialista exemplifica a necessidade da ONG: “quando um LGBT é vitimado barbaramente, sempre com requintes de crueldade, ou que muitas vezes são discriminados nas repartições públicas, ou em outros espaços sociais e culturais, não se tem um espaço onde esse LGBT recorra, para pedir orientação, informações, e muitas vezes, até proteção. A ONG atuará justamente nessas lacunas morais, onde o preconceito e a discriminação reinam, quase que em absoluto”, comenta Schneider.

“Essa visibilidade institucional para o LGBT de Primavera do Leste, contribuirá para o desenvolvimento de uma cultura de paz, de respeito e não apenas tolerância, pois tolerar significa conviver forçosamente com outro, sem respeitá-lo. Temos que ir mais além, e reconhecer o LGBT como um cidadão munícipe, em sua totalidade”, ressalta Rodrigues.

A ONG será presidida pela mulher transexual Camila Lima, e na vice-presidência estará Roger Kaba. Conforme Roger, no momento a ONG oferecerá encaminhamentos e acompanhamentos nos casos de homofobia, viabilização de atendimentos psicológicos às famílias e pessoas homoafetivas, ações preventivas relacionadas à saúde e outros amparos.

“Temos estatísticas de atos de violência por homofobia, muita incidência de discriminação, principalmente por parte de funcionários de órgãos públicos, sendo isso preocupante para classe. Nossa cidade não tem nenhum órgão ou até mesmo informações, capacitações para o devido atendimento às pessoas da classe”, declara Kaba.

O vice-presidente ainda salienta que, “infelizmente o preconceito está instalado em todos os lugares. A classe existe, ninguém tem que aceitar nada, porque cada um nasce da forma como é, porém ainda há muito a mostrar sobre as qualidades do gênero”.

Um dos exemplos é a mulher transexual Paola Gimenez Oliveira, a primeira transexual a coordenar um cargo público na cidade de Primavera do Leste. Formada em Assistência Social, ela está à frente do Centro de Referência Especializado de Assistência Social (Creas) da cidade e vê a iniciativa da ONG como sinônimo de mais respeitabilidade ao público LGBT.

“Eu, como uma mulher trans, assistente social e que usa nome social para assinar relatórios, baseado em resolução do Conselho Federal de Serviço Social (CFESS), vejo a instituição com total importância, porque vem pra nos respaldar, nos formalizar de todos os nossos direitos como cidadão, e não como gay, porque não somos nem mais nem menos do que ninguém”, avalia Oliveira.

Conforme Paola, a ONG vai ajudar até mesmo os LGBTs a se qualificarem, e os já qualificados, a manter-se no mercado de trabalho para mostrar que assim como qualquer gênero de identidade, todos são capazes de ser profissionais e coordenar qualquer organização com competência, independentemente de sua orientação sexual.

“Ter a oportunidade de coordenar um CREAS como mulher trans é um ego muito grande, para mostrar para a sociedade que independente da minha orientação sexual, da minha identidade de gênero, eu sou capaz de administrar qualquer órgão profissionalmente. Minha identidade é mulher, e orientação cada um tem a sua, peço que respeite, pois é como me identifico como gosto de me vestir, e eu gosto que as pessoas me vejam como mulher”, explica a coordenadora.

Paola deixa claro que “com a abertura da ONG, Primavera não está tomando partido para o público LGBT, mas sim gerando e criando oportunidades para profissionais e prestadores de serviço oferecer trabalho de qualidade, pra que todos se sintam bem recebidos nessa cidade acolhedora, pois temos bons profissionais no nosso público, que pode competir com todos. Somos médicos, advogados, assistentes sociais, serviços gerais, somos mães, pais, irmãos, somos famílias”, comenta a assistente social.

Paola aproveita a oportunidade para ressaltar que a ONG não existe somente para defender os direitos dos LGBTs. “Não podemos esquecer que cada gay, travesti, transgêneros, todos tem a obrigação individual de mostrar respeito, porque a gente só vai ter respeito a partir do momento que a gente respeitar. O meu direito não começa na hora que acaba o seu. O meu direito sempre vai estar em primeiro lugar porque o seu também está em primeiro lugar. O direito nunca acaba, porque o seu também nunca acabará”, defende Paola Oliveira.

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